Não há liberdade sem disciplina

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O conceito de Liberdade é das coisas mais prementes da vida.

Realçar a sua importância, principalmente quando nos vemos privados dela, então nem se fala,  vive-se.

Há coisas sobre as quais é mesmo muito difícil falar, até porque cada um de nós é um mundo e tem as suas prioridades que são diversas em cada um e, dependendo da fase da vida em que estamos, assim muda a importância que damos às coisas.

Porém, há valores que nos acompanharão até morrermos.

A Liberdade é para mim o primeiro e último.

No dia em que sinto que a minha liberdade é afectada ou alterada de alguma maneira, é quando sinto na minha intuição que algo poderá não estar muito certo e que está na hora de fazer algo para melhorar esse sentimento.

Mas a noção de liberdade, de termos total abertura e capacidade para sermos quem somos e fazermos o que mais queremos, é tão subjectiva que poderá tornar-se o oposto daquilo que representa para as pessoas que nos rodeiam.

Ou seja, quando eu começo a exercer a minha liberdade em pleno, como saber se ela interfere no espaço da liberdade do outro?

É aqui que entra a disciplina.

Vou dar-vos um bom exemplo prático.

Quem aceitou o desafio de treinar comigo, sabe bem que das primeiras coisas que me ouve dizer e que exijo aos meus alunos são as 3 regras no meu treino:

1º – Não duvidar

2º – Não justificar

3º – Não reclamar

É certo que estas 3 regras foram implementadas após experiência de anos a trabalhar com pessoas, seres humanos como todos nós, que à primeira contrariedade desatam a justificar, duvidar e a reclamar do que lhes acontece, ao primeiro, segundo ou, vá lá, terceiro obstáculo.

Percebi que no treino isso pode ser muito contraproducente e os alunos sabem que essas regras que coloco são para o bem deles, mas sim, pode e vai interferir nas suas liberdades individuais. E eles aceitam-nas vigorosamente e com capacidade de auto-superação. Afinal, só assim faz sentido!

Mas também surgem num contexto de confiança, entre-ajuda e até amizade!

Os meus alunos sabem que não é para castrar o seu sentido opinativo (e quase todos o têm muito apurado 🙂 ) , mas sim para que possam mais tarde beneficiar da libertação que é terem evoluído por vontade própria e libertarem-se, isso sim, de condicionamentos e questões pretéritas que existiam antes da nossa consultoria de qualidade de vida.

Só com disciplina podemos exercer a nossa liberdade sem cair no caos de atropelar os outros no processo.

Este é apenas um exemplo prático dos muitos que vos poderia dar.

As coisas mudam e muito se falarmos de sentimentos, pessoas, na gestão de conflitos ou divergências obtusas de opinião: casos em que a nossa essência humana é verdadeiramente posta à prova.

A melhor forma que encontro para lidar com essa aparente contrariedade ao que achamos ser um grilhão na nossa liberdade é analisar alguns factores essenciais. Façam estas perguntas internamente:

1º – Vai contra os meus valores?

2º – É benéfico de alguma forma para mim?

3º – Prejudica alguém?

4º – De que forma esta situação pode influenciar as minhas decisões futuras?

5ª – Uma vez conquistada, para onde irei com tamanha Liberdade?

Estas questões irão erguer toda uma série de encruzilhadas na nossa cabeça. Todos sabemos o quanto demora muitas vezes a tomarmos uma decisão ponderada.

Pensamos e pensamos e quanto mais pensamos, mais nos parece que não saímos do lugar.

Bom  a realidade é que não adianta ficar naquilo a que chamo o pensamento em areia movediça. Quanto mais pensas, mais te enterras. 🙂

O ideal é fazer algo. Desencadear uma acção que, por mais pequena que seja, levará a toda uma série de eventos que, liderados pela nossa vontade, nos deixarão mais próximo do que precisamos que aconteça. E mesmo que não consigamos desencadear nenhuma acção, a verdade é que despoletámos internamente um processo de questionamento que,  em última análise,  poderá ser decisivo futuramente. É que se não tomarmos nenhuma atitude quando a nossa intuição nos pede que tomemos, a vida irá encarregar-se de decidir por nós.

Cada cabeça, sua sentença. A liberdade é o nosso bem mais precioso.

Cada um sabe bem o que poderá castrar ou limitar a sua. Cada um tem o poder de moldar os limites daquilo a que a liberdade pode ou não ascender.

O processo de aprendizagem é contínuo e estamos a conhecer-nos a cada passo dado.

Todos os dias é um novo salto pelo caminho das pedras e só nós saberemos onde o nosso pode ir dar.

A disciplina de pisarmos essas pedras com ponderação, saber a que distância está cada uma delas e qual o salto a dar para atingirmos com firmeza a mais distante sem cairmos, é o verdadeiro grito de liberdade consciente.

Diante de nós encontramos um horizonte mais expandido e incerto, a perder de vista ou apenas o limite seguro a que o nosso olhar alcança?

Podemos pelo menos tentar manter a distância suficiente para que consigamos, através do querer chegar a ele, perceber que estamos um pouco mais perto de nós. 🙂

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