A máquina

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No corpo está a razão.
No outro dia enganei-me a fazer uma coisa no computador e um amigo disse-me: “A máquina tem sempre razão”.
Depois pensei no meu corpo que também é uma máquina e percebi que ele também tem direito a ter razão.
No corpo está tudo, até a mente.
Quando sinto frio, tapo-me.
Quando há calor, destapo-me.
Quando choro é por alguma coisa.
Quando rio é por algo também.
Se quiser rir depois tenho que fazer o que me fez rir antes.
Tenho que fazer o que me faz se o quiser fazer mais vezes.
O que funciona para o meu corpo é o que funciona para mim.
Ouço-o todos os dias. Tenho ouvidos especiais que ouvem para dentro também.
Tenho olhos que dão a volta até verem o que se passa no dentro de mim.
Tenho dedos que me apalpam por dentro da pele.
E atado ao nariz por uma trela que vai muito longe tenho um perdigueiro que vai por mim até ao que for preciso.
E sabe-me tão bem.
Sabe-me tão bem.
Sei tudo tão bem.
Ando sentido comigo mas não sofro porque há sinais nítidos por mim que me avisam do que está mal e me avisam quando é bom.
De hoje até ao fim dos meus dias darei razão à máquina.
Eu sou a máquina. Eu sou só o meu corpo porque ele diz-me o que estou destinado a ser.

Texto do livro “O Manual da Felicidade” de João Negreiros

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