Queres Ser, ou Parecer?

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Quase todas as ideias que sei que tenho de aproveitar para fazer alguma coisa delas, me surgem numa conversa com amigos.

Não falo daquela conversa de café normal, de ocasião, que temos de quando em vez com conhecidos, pessoas com quem nos apraz passar bons bocados, mas que não nos conhecem a fundo.

Falo daqueles encontros em que se conversa mesmo: de coração na mão e inseguranças na voz.

Aquelas conversas em que nos expomos realmente e que sabemos que quem nos ouve nunca nos irá julgar, porque vê muito além dos actos e sente a pessoa que está diante dela. A conhece de trás para a frente. Sem dúvidas, nem conceitos pré-estabelecidos de como ela devia ou poderia ser ou deixar de ser.

Num desses últimos encontros, acabámos a falar do facto de nada ser aquilo que parece. Vemos uma situação e raras vezes sabemos o que está por detrás de tudo aquilo.

É muito difícil hoje em dia olharmos para algo e percebermos, de forma transparente, o que aquilo, pessoa, objecto, ou situação representa.

Existe toda uma capacidade ampliada de camuflar, colocar artifícios e distracções em volta do que realmente importa e é essencial.

Quer seja pela tecnologia fácil disponível e acessível a todos, quer seja mesmo pelo que isso nos leva a sentir: é tudo próximo, descartável e passível de ser substituído por outra coisa melhor num curto espaço de tempo.

O que importa é estar actualizado e avançar, avançar não importa a que custo.

Nessa troca de ideias, ficámos com a nítida sensação de que a grande dificuldade de muitas relações – profissionais, familiares, afectivas, sociais – hoje em dia, mais não reside do que nesse reflexo inconsciente do ser apenas por ser, estar apenas por estar, respirar apenas por respirar, comer por comer, dormir por dormir. E que se algo coloca em causa estes processos já quase neuro-vegetativos em que se encontram, as pessoas pura e simplesmente põem de lado. Rejeitam. Reprimem. Porque dá trabalho. Obriga a olhar para dentro.

Quebrar com esse automatismo só acontece quando as pessoas são colocadas em situações de stress em que são obrigadas a parar e a olhar para o que não querem, ou em redor, e a ver que afinal a anestesia já não funciona, o mundo real está ali e deve ser vivido com consciência, e não com meros pragmatismos.

Na certeza de sermos seres conscientes que evoluímos de acordo com as circunstâncias a que somos sujeitos, podemos entrar no processo de crescimento interior em que optamos: quero ser, ou quero parecer? quero estar ou ausentar-me de vez? quero escutar, ou apenas ouvir? quero compreender, ou apenas saber?

Todos passamos por ciclos idênticos na vida.

Todos temos momentos felizes, que alternam com dificuldades, temos montanhas de coisas que queremos ser, fazer ou aprender.

Mas a opção de estarmos mesmo lá porque queremos, ou porque alguém ou algo espera isso de nós, porque projectamos em nós esse querer ou simplesmente porque desde sempre nos disseram que teríamos de ser assim, são coisas que devem estar muito claras na nossa cabeça.

Pergunto-me: quanto tempo deve durar a vontade dos outros sobre nós?

Quanto tempo o nosso medo de aceitação deve limitar o nosso verdadeiro ser de aparecer?

É essa transparência que é tão importante para um processo de auto-conhecimento. Não se quer ver o que está turvo, turvo deve ficar.

Quando se começam a limpar as águas, muitas vezes não gostamos do que vemos lá no fundo, no leito, então preferimos deixar como está?

Porque não limpar? Mexer no lodo? Revelar aquilo que somos verdadeiramente e sublimar. Transformar aquilo que queremos realmente melhorar?

Somos tão melhor do que achamos que somos!

Muitas vezes temos ideias tão erradas daquilo que achamos que devemos ser!

Porque não conhecermo-nos mais de perto?

Pára. Respira. fecha os olhos e vê-te.

Por dentro. Como nunca ninguém te viu.

Se és tu, vais parecer-te muito mais contigo!

😉

Fotografia: Nuno M. Sousa

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