Voltar atrás

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Hoje pela primeira vez na vida, percorri toda a avenida marginal, desde Cascais até ao Alto da Boa-Viagem, com a sinalização toda verde, sem pausas nem interrupções. Assim que chegava perto do semáforo, como que por magia antes de desacelerar o motor ou descer a mudança na caixa de velocidades, o sinal ficava ou já estava verde. Ainda por cima sabendo que aqueles radares nos obrigam a uma velocidade constante e certeira, e ao mínimo deslize o sinal cai para vermelho.

Hoje não. Tudo verde.

E eu com todo o tempo do mundo.

Seria o começo de uma manhã gloriosa?

O Universo estava a conspirar a meu favor, e quando isso acontece, não há que hesitar.

Já sei que é um sinal para aproveitar.

Para quem, como eu, passa grandes partes do dia a conduzir, a estrada torna-se muitas vezes local de meditação, de contemplação e até de analogia para muitos dos nossos percursos de vida.

A forma como reagimos, como nos movemos, a hesitação, a decisão.

Arranque, a desaceleração. Cumprir ou transgredir. Partir ou ficar.

Sim, ok, nada de mais, coincidências, mas foi impossível não pensar, ao conduzir por aquela estrada aberta, mar de um lado, música do outro, janela baixa e umas nuvens negras por cima da cabeça, que ameaçavam desabar em chuva torrencial a qualquer momento, que há momentos na vida em que tudo parece alinhado e, é preciso estar atento a esse alinhamento!

Um pouco antes do Alto da Boa-Viagem, a minha saída habitual, o sol começou a espreitar por entre as nuvens. O negro começou a dar lugar a um azul que quase me cegava, de tão nítido e transparente.

É incrível como depois de uma noite de chuva intensa, tempestade no mar, o ar se respira mais puro, mais aberto, o céu nos ampara com outras cores e o chão abre-se diante dos nossos pés.

Dei meia-volta e voltei atrás.

Tinha de sair. Havia ali um momento qualquer que me dizia que era obrigatório voltar atrás.

Como quando dizes ou fazes algo que não pode ficar incólume. Fazer inversão de marcha onde podes e voltas lá.

Estacionei, lugar vago em frente da praia.

O sol que me convidou a tirar a camisola do pico de Inverno.

Areia debaixo dos pés. Mar abrupto na linha do horizonte e nada mais a pensar.

Só eu ali e o mar.

A vida inteira pela frente, e voltar atrás para fazer perdurar algo que nunca mais se poderia repetir.

Voltar atrás e saber onde está esse momento irrepetível, que podia ficar por viver é saber escutar a nossa intuição e resolver a equação cósmica do Universo quase sem sair do lugar.

É só voltar atrás e lá ficar.

Há que saber tirar a verdade da vida no nosso momento mágico, como quem espreme o sumo que nos mata a sede de compreender.

Para quando soubermos que é tempo de seguir caminho, tudo se arruma de forma direita e incrivelmente certa na prateleira do nosso destino.

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2 pensamentos sobre “Voltar atrás”

  1. O meu sinal verde foste tu. E a minha vida mudou. O sorriso. A postura. A ideia pre-feita do yoga. Que bom fazeres parte da minha vida e eu esperar ansiosamente por terça e quinta.
    E saber que não há coincidências e o meu destino passava por conhecer outros mestres.
    Beijinho no coração

    Gostar

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