Da distância

yoga_carlaferraz

As viagens transformam-nos.

Sempre que saímos do nosso lugar, do nosso canto recostado, abrimos as portas àquilo que sempre quisemos viver mas a vida nunca nos proporcionou. Até àquele instante.

Como as pessoas, os lugares ficam em nós.

Frequentar um lugar que se conhece bem é como frequentar um amigo de longa data.

Aquele que raramente vemos mas que quando encontramos, é como se fosse ontem.

Sabemos bem onde respiramos melhor, onde dar a gargalhada mais alta, e o abraço mais apertado. Sabemos caminhar com passo apressado ou um pouco mais lento.

Demoramos os olhos sobre os rios ou sobre as casas.

Passamos ao de leve as mãos pelos bancos dos jardins. Baixamo-nos para afagar um cão que passa, abrimos o guarda-chuva à pressa, mas com lentidão bastante para deixar a primeira gota de água cair-nos na alma.

Como as pessoas, os lugares precisam de tempo e de distância.

Para serem verdadeiramente apreciados, temos de lhes sentir saudade. Desejo. Vontade.

Não há nada como o verdadeiro distanciamento para voltar mais perto e com mais força.

Viajamos com a certeza da aventura por vir, mas bem lá no fundo da nossa intuição sabemos que queremos aquela sensação única que já vivemos uma vez, duas, com muita sorte, três. O precipício. Os olhos fechados.

Ser uma pessoa nova. Reinventar a nossa vida, o que somos, o que os outros são para nós, o que nós somos para nós mesmos.

E voltamos muito mais altos, mais abertos, mais risonhos, mais capazes de ver as diferenças que nos rodeiam. E amá-las por isso mesmo. Por não serem nós.

Queres treinar a tua capacidade de adaptação: viaja.

Queres descobrir a tua flexibilidade em resolver imprevistos perante pessoas e mundos: faz a mala e leva muito pouco.

Vai leve. Regressa peso-pluma.

Viajar é passear de mãos dadas sobre o novo asfalto ainda a cheirar a alcatrão fresco que a vida nos coloca debaixo dos pés.

Ou sentir o vento que, sem hesitar, nos eleva os pés do chão, com a facilidade das aves que sobre o rio, fazem o mesmo voo todos os dias e se elevam sempre como se fosse o primeiro.

E perguntam porquê?

Não.

Apenas voam.

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