“Toda a negação é uma afirmação de intensidade”

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Hoje passava os olhos pela leitura atrasada e acabei por reler alguns livros  a que volto sempre.

Num dos livros do meu Mestre encontrei esta frase, aquela ali em cima.

É uma afirmação poderosa.

Fico sempre a pensar nela e apesar de ter a certeza de que está correcta, ponho-me sempre a olhar para a outra face da moeda.

Tentei hoje ir mais longe nela.

Andei a reler o que o DeRose escreve sobre isso, e faz cada vez mais sentido. Tantas vezes lemos uma coisa que, um dia, os nossos olhos fecham-se por segundos, respiramos mais fundo e percebemos realmente que aquela frase hoje é para nós.

Diz ele:

“Este é um sútra que alude ao facto de que quando alguém se dá ao trabalho de contrapor uma afirmação é porque reconhece um considerável grau de intensidade na força dessa afirmação. Caso contrário, simplesmente a ignoraria.

Por isso, muitas figuras históricas ficaram celebrizadas. Não tanto pelas suas contribuições efetivas, mas muito mais pela oposição barulhenta que seus adversários fizeram. O próprio Cristianismo teria perdido força se não fosse tão impiedosamente perseguido. As perseguições o divulgaram e fizeram chegar à notoriedade.”

Tudo o que é imenso, maior do que conseguimos compreender, dá medo. E negamos. Quase até à inconsciência.

Um dia uma amiga ao conhecer um rapaz que lhe apresentei, disse esta frase sobre ele, que jamais esquecerei: «É estranho. Ele dá-me medo. Como se houvesse ali alguma coisa onde eu prefiro não ir. » Pois é. Esse medo profundo era tal que estão juntos até hoje. 🙂

Todos nós no nosso percurso encontrámos pessoas ou situações que nos são/eram verdadeiramente antagónicas.

E a veemência com que elas/situações nos enfrentam é totalmente de acordo com a vontade que têm em provar que estamos errados.

Ora, se essa tentativa de prova não fosse importante, porquê insistir tanto nisso?

Hoje falava sobre esta ideia com um amigo e ele, super pragmático, como sempre, disse: «Só me chateio com pessoas de quem realmente gosto. Os restantes são-me completamente indiferentes.»

 

Quantas vezes pensamos nisto? Poucas.

Achamos que nos antagonizamos é com os que desprezamos, com aqueles que não queremos nem ver por perto, mas na realidade, não.

As grandes zangas, os cortes profundos só os fazemos com quem demos, ou damos ainda, muita importância, ou a suficiente para não conseguirmos ter por perto aquela presença que nos lembra do que não queremos tocar.

Resumindo, e para não vos maçar muito, queria só que percebêssemos isso nas nossas relações interpessoais.

Que por vezes é mais importante aceitarmos e deixarmos que os outros assumam realmente a importância que têm na nossa vida, sem medo, em vez de estarmos constantemente a lutar contra ela.

Com o tempo e experiência, tudo segue o seu curso.

Ao negá-los, estamos a torná-los mais intensos.

Como o vento frio, indispensável para tornar as brasas mais quentes.

Outra frase do meu Mestre 🙂

 

Fotografia: Frederico Magro

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