Tudo na vida é uma questão de gestão

yogaclass

De repente pestanejamos, e é nesse segundo em que os olhos se fecham que damos pelo mês de Setembro já quase no fim.

As férias ficaram para trás, a reorganização de rotinas, novas e antigas, impõe-se a um ritmo mais acelerado do que gostaríamos.

Tudo corre na direcção de algo que, aparentemente, vai ser conquistado, realizado, alcançado. E os dias passam nessa perspectiva de que estamos a construir algo a que, lá mais para a frente, conseguiremos ver um propósito.

Mas será mesmo que é isso que estamos destinados a fazer? A ser?

Será que os nossos dias vão ser passados nessa lembrança constante de que é preciso continuar, não importa como nem porquê?

Claro que a nossa realização enquanto seres humanos passa por termos uma missão na vida, e precisamos dela para sentirmos que o nosso lugar aqui faz algum sentido.

Mas muitas vezes hipotecamos tudo em redor dessa missão e levamos tudo por arrasto, só para o conseguir: arrastamo-nos com a ilusão de que aquilo é a unica coisa que importa.

Sabendo nós desde os primórdios dos tempos que o Homem tem papéis definidos em sociedade, fica essa urgência de saber, qual é o nosso?

Na realidade, tudo na nossa vida é uma questão de gestão. É preciso gerirmos o que o mundo espera de nós com uma pitada de amor próprio que não permitirá que esse mesmo mundo ofusque a nossa evolução e bem-estar humano e social.

Senão, vejamos.

Permitindo a observância de todos os planos que nos constituem: físico, energético, emocional e mental (o intuicional fica para outra esfera), podemos organizar todos eles de forma a que os nossos dias contemplem cada vez mais uma coerência por aquilo que somos, e queremos ser.

 

Gestão física: coloque em marcha um plano que inclua o respeito pelo seu corpo. Uma rotina de movimentação, exercício e descanso que esteja de acordo com tudo o resto que necessita realizar num dia útil. Pode planear as manhãs com mais antecedência para que incluam um bom treino, um bom pequeno-almoço e, sem pressas, encaminhar-se para o trabalho com a sensação de que já realizou muito em prol de quem é. Ao fim do dia, a rotina familiar e o merecido descanso.

Gestão energética: já pensou na quantidade de energia que aplica nas tarefas, pessoas, ideias ou emoções realmente férteis? E já imaginou que o dispêndio dessa mesma energia depende apenas e exclusivamente de si? Coloque uma meta de calendário para começar, de preferência HOJE, a canalizar a energia necessária e devida apenas e exclusivamente naquilo que lhe faz bem. Nas emoções, ideias, pessoas, momentos, tarefas que o elevam, e não naquilo que se torna demasiado pesado para os seus ombros. Sim, é verdade que há situações que não dependem de nós. Aquele trabalho que nos exige demais, aquelas pessoas que não podemos evitar, os pensamentos que, em momentos de vulnerabilidade, insistem em não nos abandonar. Ok. Reconheça todos eles, abrace-os mentalmente e depois, escolha activamente o tempo, energia e vontade que vai aplicar e dedicar a eles. Liberte-se MESMO de situação improdutivas, estéreis, que apenas o levam a andar em círculos. Acredite que se vai sentir muito mais enérgico após essa gestão. Até porque a energia vai e volta, gera um ciclo virtuoso. Se tiver uma base menos boa, vai manter-se nesse comprimento de onda. Se tiver uma base positiva, é nessa vibração que irá crescer.

 

Gestão emocional: nada nos intoxica mais do que uma emoção pesada e nada nos eleva mais do que uma emoção inspiradora. Então, aqui é válida toda a gestão acima mencionada, uma vez que o nosso corpo emocional se alimenta de energias que nos rodeiam, de situações que se alimentam ou que libertamos. Aquele trabalho que vai contra os seus valores está a deixá-lo de rastos? Procure outro. Aquela pessoa de quem passa a vida a correr atrás, a pedir atenção, a sobrevalorizar não está minimamente interessada no que tem para lhe dar? Siga em frente! Existe um familiar com quem mantém uma relação distante, de costas voltadas e que torna constrangedor os almoços em família? Faça as pazes, dê o primeiro passo! O mais forte é aquele que pede desculpa! Encha o seu coração daquilo que lhe faz bem.

 

Gestão mental: só é possível chegar aqui com a mente estável, focada e leve, se todos os planos anteriores estiverem minimamente nivelados. Em caso contrário, a mente vai estar ocupada com todo o alinhamento de prioridades que está em desequilíbrio por falta de respeito pelo corpo, de direccionamento energético ou de conforto emocional. Assim sendo, não há volta a dar: encontre tempo para si.

Respeite os seus ciclos biológicos: há alturas em que apetece mesmo fazer uma noitada, mas noutros, nem que a sua tropa de amigos de infância lhe bata à porta dá para contrariar – fique a descansar. Rodeie-se de pessoas que o amam e que respeite. A sua mera presença será sempre criadora de aconchego emocional.

Analise as suas finanças. Sim, essa parte da sua vida para onde nunca quer olhar. Quando elas estão alinhadas, equilibradas, não precisa pensar se pode ir passar o fim-de-semana fora ou fazer o curso de escrita criativa que sempre quis. Reserve o necessário para uma situação de maior aperto. Nunca se sabe!

 E o tempo! Esse nosso maior aliado e inimigo – depende de como o tratarmos. 😉

Encontrar tempo para ser, fazer e principalmente para parar, é a chave para conseguir manter elevados os níveis de energia necessária à resposta a solicitações externas.

É certo que é preciso um esforço adicional no início para conseguirmos ajustar todas as nossas rotinas a uma nova capacidade de gestão. Mas os frutos chegam, e muitas vezes não apenas na forma de recompensas financeiras, que são sempre bem-vindas, porque trabalhamos melhor e com mais entrega.

Principalmente, começamos a perceber que o fulcral na nossa vida – a recompensa que é verdadeiramente viver rodeado do nosso real sentido de missão – é sermos seres humanos melhores a cada dia. Que a única coisa urgente é o amor que colocamos naquilo que fazemos, somos e nas pessoas a quem nos damos. Tudo o resto entretém-nos na ilusão de que o materializável é mais vital do que o que sentimos, porque o que sentimos podemos esconder, e o materializável não. Puro engano.

Esconder é apenas adiar. Revelar é libertar.

Gerir essa libertação leva-nos ao verdadeiro rumo da nossa experiência humana da vida plena.

 

Boa semana!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s