Discursos do Cérebro

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Durante o mês de Setembro, tive o privilégio de participar num ciclo de talks organizadas pela Culturgest, no âmbito das Neurociências, com o intuito ambicioso de juntar algumas das mentes mais brilhantes nesta área em Portugal, num brainstorming intenso, mas compreensível para leigos, acerca do fascinante mundo dos processos neuronais.

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Além de promover uma discussão alargada sobre variados tópicos acerca da nossa mente e do seu funcionamento, incidiram particularmente nas suas repercussões éticas, filosóficas, sociais e individuais.

Como pensamos o que pensamos, porquê e quando pensamos?

De que forma a nossa mente, no fundo uma amálgama de impulsos eléctricos com funções distintas e papéis definidos no sentido de nos organizar, colocar funcionais e nos proteger no meio em que vivemos, vai sempre ampliar, limitar ou adaptar as nossas decisões dependendo do meio, discurso e situações em que nos encontremos?

Das 4 conferências, destaco as participações irrepreensíveis do Dr. Miguel Remondes – Investigador do Laboratório de Percepção, Memória e Decisão do Instituto de Medicina Molecular, e o Dr. Francisco Marques-Teixeira, Director do Neurofeedback, Neurobios do Instituto de Neurociências.

Miguel Remondes dissertou sobre a forma como a nossa mente processa a memória e a alinha temporalmente de acordo com o que pretendemos, podendo até manipulá-la por uma questão de conveniência. Abordou, entre outras,  a questão do deja vu como um processo para o qual existem várias teorias mas que a ciência ainda não explica na totalidade.

Francisco Marques-Teixeira, numa abordagem do transhumanismo, da ética e das artes aplicadas ao processo mental, delineou magistralmente o potencial que hoje temos em apresentar visualmente, numa performance ou até em áreas do desporto de alto-rendimento ou na dança, todo o mapa mental que activa ou inibe emoções, acções ou pensamentos mais de acordo com o que determinado estímulo nos faz «sentir». Com ele, fiquei também a conhecer o fascinante mundo das ondas MU, ondas cerebrais que, na realidade, são as responsáveis pela empatia que criamos com determinada pessoa (pois, é tudo mental).

Em ambos, o ponto mais comum foi sem dúvida a certeza de que dos milhares de processos cognitivos, percepções, de consciência mais ou menos deliberada de tomada de decisões, existirem um sem número deles que a ciência ainda não consegue descortinar.

Temos hoje a certeza de que o nosso cérebro é uma máquina poderosíssima.

Que a mentalização: a criação de imagens mentais daquilo que pretendemos – é hoje uma das nossas ferramentas mais eficazes na criação de arquétipos que vão, através da acção concreta, realizar os moldes do que as nossas mãos podem criar.

Sabemos que tudo aquilo que hoje se encontra no plano do visível, já foi idealizado um dia. Criado através do sonho, da percepção, dessa vontade imutável no ser humano de ultrapassar as suas limitações, a cada instante.

Também, com ele, o cérebro evoluiu.

Tornou-se adaptável aos tempos de mudança.

Com o tempo, também ele pode ser treinado. Como um músculo.

Criando-se-lhe hábitos que fomentem o seu bom funcionamento, como a prática de um mindset de rotinas que o permitam desenvolver todo o seu potencial.

Se damos tanta importância ao nosso aspecto exterior, porque será que descuramos tanto o que trazemos cá dentro? No que pensamos, no que criamos através dos nossos impulsos cerebrais e que assimilamos ainda mais do que imaginaríamos?

Abramos, pois, alas à nossa intuição linear.

À prática da meditação, da gratidão, do planeamento mental do que queremos ser ou fazer.

Porque não abraçar de uma vez por todas esse lado inexplicado da nossa mente como parte integrante de uma máquina que, de tão perfeita, evolui a cada milésima passo transformador deste vasto Universo:

– a máquina Humana.

Mais informação:

MuArts

BraINbox

Neurobios

Instituto de Medicina Molecular

 

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