Somos todos invencíveis, não é?

fight

Já faz um tempinho que não venho aqui.

Não sei como, mas dei por mim no pico do Inverno com tantas coisas a acontecerem, que a escrita foi ficando para trás.

Editei um livro, acorri a mil e uma actividades e a vida foi escorrendo até ao novo ano que começou em ritmo acelerado.

Quando consigo parar, dou por mim a olhar para as tantas batalhas que todos travamos de forma muitas vezes injusta. Quando falo com amigos mais próximos, com os alunos, com a família, tantas pessoas passam por tanto, e nós achamos sempre que as nossas vidas é que são as mais complicadas.

Então, porquê esta constante necessidade de fingirmos o que não sentimos? De mostrarmos o que não somos? De dizermos o que outros querem que digamos?

Costumo passar os olhos pelas redes sociais e por lá só vemos o muito bom ou o muito mau. Tudo perfeito, ou o arrasar de algo com que não se concorda. Ser crítico é tão fácil. E criar, desafiar dá muito trabalho.

Pelo meio, todos, ou quase, se tentam mostrar como sendo invencíveis, perfeitos, dando a volta a mil e uma situações muitas vezes de forma exposta, ambígua e contraditória.

O nosso mundo de hoje arrasa com o não perfeito. O lugar onde vivemos é cada vez mais dos que se mostram imparáveis.

Ora, eu tenho amigos próximos que não têm redes sociais. Eles não mostram o que fazem a toda a hora. E são felizes mesmo assim. Fazem, concretizam, vivem. Perdem e ganham. Todos os dias.

Este diálogo tem tanto por onde pegar…

Será que somos todos assim tão invencíveis?

Quantas vezes eu própria já me levantei para trabalhar doente, lesionada, com dores, molenga, sair de madrugada, chegar de noite, ou apenas com vontade de ficar debaixo dos cobertores? Mas vou.

Quantas vezes vocês chegaram à hora da aula e quiseram não ir, derrotados, tristes, cansados, irritados, tensos, a engolir o choro num respiratório ou a abafar um pensamento mais saudoso na meditação? Mas foram.

Nós não somos invencíveis.

Nós tentamos é vencer uma batalha de cada vez.

Um dia depois do outro. Até porque, tudo é passageiro.

O que hoje nos derrota, amanhã é motivo de riso ou força.

O mais forte não é aquele que tem tudo para estar bem. Esse, pouco batalha.

O mais forte é aquele que faz por estar bem com aquilo que tem, e conquista uma batalha após a outra. Aquele que contraria um pouco a sua natureza mais melancólica num dia, porque também é importante ceder a ela noutro.

Perceber o ritmo de cada um e respeitá-lo é humano.

Há quem diga que viver todos os dias, custa. Eu digo que o que custa é não viver todos os dias.

Nem que seja um bocadinho só.

Depois, podemos voltar para debaixo dos cobertores.

Certo? 🙂

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4 pensamentos sobre “Somos todos invencíveis, não é?”

  1. Tal e qual.
    O problema é que nesta era virtual, além de ser tudo para mostrar, parece que tudo é *feito* para mostrar. Como se no olhar virtual dos outros eu me validasse a mim mesma (portanto não estou mesmo a mostrar ao Outro mas a mim própria o quão boa e feliz sou mesmo não sendo?). Porquê de fingirmos o que não sentimos? Ou de mostrarmos o que não somos? Simples. andamos atrás daquilo que não somos porque achamos que é suposto sermos e sentirmo-nos assim. Porque é o “normal”, seja lá o que isso for. Numa altura em que tanto se apregoa “sê tu mesmo”, parece que as pessoas menos sabem o que são. Mas vêm os outros a serem e esquecem-se que o que vêm é apenas uma ilusão.
    Parece que as pessoas se esqueceram que a vida tem coisas boas e tem coisas más, há dias melhores e outros piores e não há problema (a não ser que seja algo patológico :p). Uma pessoa estar bem com ela própria não implica que esteja sempre feliz. E nisso as redes sociais vieram trazer um impacto negativo,.. Pois se pode ser motivador por um lado, também consegue ser desmotivador para quem não consegue alcançar uma vida que aparentemente toda a gente consegue alcançar com tanta “facilidade”. Porque não vê os dias maus, porque não vê o trabalho que está por detrás, as noites sem dormir ou as lágrimas escorridas.
    Ainda no outro dia vi esta palestra de Alain de Botton e gostei muito exactamente por ser um pensamento um pouco contra-corrente nos tempos que correm: https://www.youtube.com/watch?v=Aw1oLtuJOXQ
    Hás-de dar uma espreitadela 😉

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      1. Todos queremos sentir que estamos vivos e ter alguém para quem somos importantes. Olhando à nossa volta toda a gente parece perfeita e todos parecem aceitar só quem é igualmente perfeito. E por isso tentamos o impossível: ser sempre fantásticos, perfeitos, alegres… E assim deixamos de ser nós para que outros gostem do “nós” que afinal não somos. Parece de loucos? Parece porque é mesmo

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