Reconstrução

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Há dias em que resolvo imediatamente na minha cabeça que tudo vai correr como idealizo.
É na realidade um processo a que já me habituei há algum tempo. Mentalizo muito.
Há alguns anos atrás, quando os desafios que enfrentava todos os dias se prendiam com a sobrevivência, com o restaurar da minha certeza de que podia fazer alguma diferença, o orgulho pessoal, a auto-estima, com tudo isso comprometido, era bastante mais árduo idealizar que tudo ia correr de feição.
Se as nossas preocupações estiverem no basilar, no essencial, dificilmente conseguimos sonhar além do que nos permite um dia após o outro.
Lembro-me bastante de quando há uns anos atrás trabalhava 20 horas por dia – traduzia noite dentro, dava aulas de yôga e de dia ainda tinha um part-time num call center.
Tudo porque tinha decidido acabar com paradigmas do passado e reconstruir-me inteira.
Foi um período intenso. De destruição para reconstruir um esboço, um esqueleto frágil daquilo que sou hoje.
Pelo caminho guardava alguns sonhos. Não sei muito bem como, mas havia uma certeza interna de que haveria de chegar lá.
E hoje tenho a certeza absoluta que foi através de muitos NÃOS, de muitas desilusões, de muita reconstrução, cair muito e levantar de novo, que estou hoje sólida.
É por isso que devemos todos os dias agradecer a todos aqueles que nos colocaram pedras no caminho. Sem saberem, foram eles que nos deram a escadaria para subirmos ao mais alto de nós.
Qualquer desafio, percalço, derrocada na vida serve apenas e só para nos sacudir à força de um acordar, muitas vezes não muito agradável.
O ideal é que fosse a nossa vontade a gerar esse agito. Mas quase sempre somos obrigados pela vida a fazê-lo.

 

Tudo na vida são ciclos.
Os nossos comportamentos vão sendo moldados à medida que crescemos, evoluímos, vivemos experiências que nos obrigam a resolver os desafios que aparecem no caminho diariamente.
Portanto, se hoje se encontram num ciclo difícil, peguem nele com toda a raiva e força de reconstrução e pensem que essa é a oportunidade única para se erguerem como sempre quiseram.
Da vossa maneira, com as vossas regras. Livres.
Hoje os dias correm quase sempre como os idealizei na minha cabeça.
Mas nem sempre foi assim.
Hoje, acordo sempre com vontade de viver mais, de dar mais, de amar mais, de trabalhar mais.
Mas nem sempre foi assim.
Olho para trás sabendo que precisei muito de tudo aquilo para ter hoje esta certeza.
E sei também que cada um de vocês que agora duvida, vai ter a certeza também.

 

Fotografia, Boomland Series: João Teixeira

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